ANSIEDADE E SOMATIZAÇÃO

Autor: Flávio Braun Fiorda


Temos neste artigo a intenção de introduzirmos um novo olhar sobre este tema que abrange tantas pessoas, sem a pretensão de ser a verdade absoluta, mas fazermos a correlação entre este assunto e as questões da espiritualidade e que estudamos na Associação Médico-Espírita de Santos-SP, que é vinculada à Associação Médico-Espírita do Brasil e na Sociedade Brasileira de Terapia de Vida Passada (SBTVP).

Ouvimos falar muitas vezes, erradamente por parte dos pacientes, que estão tendo uma crise de ansiedade aguda ou o pânico, por apresentarem um mal estar diferente ou uma reação de estresse intenso ou ainda uma fobia provocada por uma situação do seu dia a dia, como por exemplo, o fato de ter sido assaltado, ou ter que lhe dar com um momento desagradável em casa, na rua ou no seu trabalho com alguma pessoa. Isto é só uma maneira da língua portuguesa se expressar quando se utiliza da palavra “pânico”, mas não caracteriza o transtorno de ansiedade e de pânico como veremos logo a seguir.

Como definição, podemos dizer que a ansiedade é um estado de humor negativo caracterizado por sintomas corporais de tensão física e principalmente de apreensão com relação ao futuro. Nós, em nossa rotina, podemos nos expressar que estávamos ou estamos ansiosos para passar por determinada situação ou algo que queiramos que aconteça em tal momento e aí poderíamos dizer que a ansiedade tem um lado que é benéfico quando ela te prepara e/ou te protege de algo do seu cotidiano, quando por exemplo, vamos viajar e precisamos arrumar as malas ou até mesmo fazer um plano de previdência privada para garantia de uma vida melhor na velhice. Então eu me preparo com relação ao porvir, sem necessariamente ficar preso ao futuro, fazendo tudo ao seu tempo. O que percebemos com relação à ansiedade é que nós, seres humanos em geral, somos muito controladores, temos uma tendência natural de queremos sempre as coisas todas do nosso jeito e no nosso tempo. E aí a ansiedade se torna patológica quando a minha reação é intensa ou desproporcional ao estímulo que a originou.

Quando então abordamos a questão das somatizações seriam as consequências psicológicas desta ansiedade patológica, sem uma causa orgânica diagnosticada previamente por um profissional de saúde que deve ser consultado seja ele da clínica geral ou da especialidade que acomete determinado órgão ou sistema sobre a queixa do paciente. Uma série de sintomas físicos de uma maneira repetitiva e contínua: dores crônicas, as inflamações até mesmo inexplicáveis (as “ites”) tais como sinusites, rinites, labirintites, gastrites, colites e assim por diante. A maioria dos exames médicos está com seu resultado no padrão de normalidade, mas os pacientes referem apresentar os sintomas que são reais, de maneira suave, moderada ou intensa, com extremo prejuízo social, ocupacional, afetivo e estressor por si só. Traduzindo assim uma “angústia psicológica” com sentimentos e pensamentos não saudáveis para o corpo e para a mente como causa e ao mesmo tempo consequência de si mesmo.

E ao paciente que foi orientado logo em seguida para procurar ajuda junto a um médico psiquiatra ou a um psicólogo parece que é um atestado de as coisas estão ruins de fato e de são incuráveis, pois a fama de quem vai ao psiquiatra na sociedade em geral não é das melhores. Infelizmente este preconceito ainda existe e muitas destas pessoas sofrem em silêncio sem necessidade, situação esta que pretendemos desmistificar através de palestras, artigos e congressos, pois o pior de tudo é a ignorância. Medicamentos ansiolíticos, antidepressivos, homeopáticos, uma boa psicoterapia quando bem indicados são excelentes instrumentos ao reequilíbrio físico e psicológico. Além, claro, da terapêutica complementar espírita, como passe, água fluidificada, desobsessão e principalmente a auto-evangelização como abordaremos mais adiante. E quais sentimentos não saudáveis que eventualmente podemos cultivar de uma maneira consciente ou não e que podem nos prejudicar atingindo o corpo físico? Citaríamos as raivas não bem resolvidas, pequenas irritações constantes, mágoas, egoísmos, prepotências, orgulhos dos mais variados, indiferenças, etc.

Já a crise de pânico propriamente dita seria a sequência de ataques intensos e recorrentes daquela ansiedade com sintomas físicos desagradáveis tais como taquicardia, sudorese, náusea, vômito, alteração da pressão arterial para mais ou para menos, palidez ou vermelhidão cutânea, tontura, formigamento, arrepios, dor forte no tórax, um medo incontrolável sem um motivo que o justifique gerando um forte constrangimento por parte do paciente pois, já não é a primeira vez que isto acontece  e com a sensação de uma morte iminente, que é bem característico e que muitas vezes faz o paciente buscar auxílio em serviços de pronto-socorros e se faz necessário sim justamente para se fazer diagnóstico diferencial de outras patologias graves e que de fato podem ser de risco de vida como um infarto, alterações  endocrinológicas, ingestão de drogas lícitas ou ilícitas, infecções virais ou bacterianas e convulsões por exemplo. Este intenso mal estar pode durar de minutos a horas, pode acontecer em qualquer lugar, aberto ou fechado, de dia ou de noite, paciente sozinho ou acompanhado e geralmente acomete mais o adulto jovem, com maior prevalência dos 25 aos 30 anos de idade e mais em mulheres do que em homens (2:1). Normalmente nestas crises os exames de urgência como eletrocardiograma, de sangue que diagnostiquem alterações hemodinâmicas, metabólicas e outros estão normais e é feito alguma medicação calmante para alívio dos sintomas de mal estar. Destaca-se também a real necessidade do profissional de saúde entender um pouco deste assunto, querer ajudar e humanizar o atendimento médico.

Percebemos na anatomia e fisiologia do nosso cérebro algumas áreas correlacionadas com o medo e as suas reações em cadeia. O tálamo que recebe as informações oriundas dos olhos, ouvidos, boca e pele repassa ao córtex sensorial que vai interpretar estas sensações como desagradáveis. Já o hipocampo vai armazenar e recuperar estas memórias, processando os estímulos recebidos como já vivenciados antes, mandando as informações para a região vizinha das amígdalas decodificando as emoções e determinando possíveis ameaças, armazenando a memórias do medo e ao hipotálamo finalmente caberia a decisão do que fazer: lutar ou fugir mediante ao fator estressor. Estas ações neurológicas vão ao mesmo tempo fazendo as conexões perispirituais, fisgando do nosso passado situações já vivenciadas antes por nós noutras encarnações, ora como vítimas de alguém em situações violentas e ora como algozes de terceiros, quando fizemos alguém sofrer física ou psicologicamente.

Então como causas dos transtornos de ansiedade, somatização e pânico, poderíamos citar as orgânicas e psicológicas tais como a alteração da produção e da receptação da serotonina que é um neurotransmissor  (principalmente no sistema límbico, área das emoções cerebrais); o stress da vida moderna; os traumas vivenciados nesta vida e em outras vidas passadas, ampliando a visão reencarnacionista das psicopatologias; uma personalidade previamente hipocondríaca; falta de confiança em si e na providência Divina; um temperamento extremamente controlador das situações e do porvir. E como causas espirituais, poderíamos citar a questão da mediunidade desiquilibrada, sensibilidade esta onde faz a pessoa ser um para-raio ambulante; processos obsessivos espirituais onde o que chama a nossa atenção para as intuições negativas que os pacientes referem ter sobre seus sintomas (tentativas de convencimento psicológico e mental por parte destes espíritos que o paciente vai sofrer eternamente, e que vai morrer por conta disto - geralmente um fato traumático praticado ou sofrido entre o paciente e seu obsessor de plantão); e finalmente uma intensa e aguda manipulação de um fluido, que se chama ectoplasma, por parte dos obsessores gerando as somatizações. Achamos no livro “Evolução em Dois Mundos”, de André Luiz pela psicografia do médium Chico Xavier em seu capítulo 14 – 1ª parte, a seguinte expressão - psiconeurose: uma simbiose obsessiva onde espíritos anestesiam ou infantilizam mente menos aptas ao auto-controle, podendo evoluir para um episódio epiléptico. E pensando na questão da evolução espiritual que todos nós temos de encarnação em encarnação na eterna escola da vida, nosso passado é de muitos erros. Criamos estes desafetos por opção própria e estes também pelo seu livre-arbítrio não nos perdoaram até os dias atuais e que conseguem nos achar na vida atual por sintonia e frequência parecidas já que não evoluímos tanto assim como pensamos e ainda temos muitas recaídas nas nossas questões mais íntimas de fundo moral e de caráter, facilitando este reencontro.

Então estes pacientes teriam, por esta teoria, uma produção fisiológica e acúmulo natural de ectoplasma em seu organismo de uma maneira acima da média geral, sendo candidatos a prestarem atenção em sua mediunidade de dar passes de uma maneira geral e em sessões de cura em casas espíritas doando este fluido, principalmente, se quiserem melhorar de seus sintomas. A doação, a caridade, a generosidade: mais uma vez remédios que a medicina ainda há de descobrir. Este ectoplasma seria um fluido, uma energia, uma matéria, uma substância semi-material condutora de eletromagnetismo, amórfica, elástica, inodora, expansível, fotossensível, tangível, obediente à ação mental, produzida pelos seres humanos encarnados. Porém, manipulável pelos encarnados e desencarnados para o bem ou par ao mal, interagindo com o meio ambiente, penetrando qualquer matéria, através dos fenômenos físicos pela materialização de espíritos e objetos que fazem parte da história do começo do espiritismo na humanidade, sessões de curas nas casas espíritas e na psiquiatria nos transtornos de somatizações.

Até o momento não existe nenhum tecnologia capaz de mensurar estes efeitos, mas inúmeros outros sérios pesquisadores já citavam o ectoplasma em seus trabalhos tais como William Crookes, William Crawford, Charles Richet - fundador da metapsíquica, Allan Kardec e Chico Xavier. A origem do ectoplasma é alimentar, sendo produzido nas mitocôndrias de todas as células do corpo físico, principalmente as do fígado. As mitocôndrias consomem o oxigênio inspirado, metabolizando a glicose (nosso alimento), liberando o gás carbônico, água e produzindo este fluido ectoplásmico. Assim, ficaria mais acumulado em nossos abdômen e tórax, sendo eliminado junto com o gás carbônico pela expiração, mas saindo por todos os orifícios do corpo humano quando em excesso. E quando não doado a contento, somatizaria de acordo como ponto fraco do períspirito (traumas trazidos de vidas passadas provocados ou vitimizados) de cada indivíduo.

Portanto, a pesquisa de patologias orgânicas previamente, o uso de medicação adequada na dose e períodos corretos, um bom processo psicoterapêutico (cognitiva, comportamental, regressão de memória) que ajude ao paciente a elevação de seus sentimentos, mudança do estilo de vida como um todo, a prática da caridade, a melhora do temperamento, tratamento de desobsessão espiritual, o evangelho no lar e a questão do estudo teórico e prático da mediunidade para dar passes seriam muito importantes questões a serem tratadas pelos indivíduos portadores deste tipo de transtorno.

E para finalizar segue um muito inspirado poema de Emmanuel:

“Aconteceu talvez o que não esperavas...O lado contra te ironiza. O sentimento ferido te aborrece. Entretanto, reflete nas bençãos que a Divina Providência já te concedeu e procure sorrir. Não te indisponhas com ninguém...Continua trabalhando e servindo em paz. Aguarda o tempo, na certeza de que pelas circunstâncias da vida, nas páginas do tempo é que se manifesta, mais claramente a voz de Deus”.

Dr. Flávio Braun Fiorda

Médico Psiquiatra

Pres. AME-Santos/SP e Pres. SBTVP