A CRIAÇÃO DO GRUPO ACADÊMICO DE SANTOS

Autor: Flávio Braun Fiorda


O Grupo de Estudo de Medicina e Espiritismo - GEME - foi formado no início do ano de 1994 na Faculdade de Ciências Médicas de Santos-SP, da Universidade Lusíada, por iniciativa dos professores doutores cirurgiões gastroenterologistas Fernando Augusto Garcia Guimarães e Décio Iandoli Júnior, que eram ligados à faculdade na disciplina de técnica cirúrgica e preceptores da clínica cirúrgica para o internato do 5º ano da faculdade, no Hospital Escola Dr. Guilherme Álvaro, além do apoio fundamental e constante do Dr. José Nilson Nunes Freire, homeopata e fundador da Associação Médico Espírita do Brasil, em 1995, sendo então, o primeiro tesoureiro da entidade, e também de poucos outros colegas médicos da cidade à época simpatizantes deste movimento.

A Associação Médico Espírita da Baixada Santista já havia sido constituída em 1993 e  posteriormente, por questões de registro em cartório, alterou-se a nomenclatura para Associação Médico Espírita de Santos. Valiosos e dedicados colegas idealizadores do movimento médico-espírita reuniam-se no Grupo Espírita Fraternidade, instituição de estudos e benemerência já tradicional na cidade, com reuniões semanais de estudos sobre a temática kardecista e da importante interface da ciência sobre a saúde humana e a espiritualidade. Assim sendo,  destacou-se a necessidade de se congregar em breve espaço de tempo ao grupo, a colaboração dos estudantes de medicina, os futuros profissionais médicos. Incentivando-os já desde a sua formação acadêmica a semente da espiritualidade no cuidado com o paciente, a melhor formação humanística do profissional de saúde, a terapêutica complementar espírita como nobre instrumento de melhora da evolução dos quadros clínicos apresentados pelos doentes, integrando a religiosidade, a fé e a ciência tradicional, sem nenhum demérito da evolução do conhecimento materialista e em busca das verdades sobre a vida. Portanto, este foi o início do primeiro grupo de estudos no Brasil dentro de um meio universitário em medicina a se reunir com este propósito.

Foi num encontro então casual e planejado ao mesmo tempo, que estes professores começaram informalmente a contatar inicialmente somente com os acadêmicos do terceiro ano desta faculdade e posteriormente de outros ciclos também, questionando-os sobre as suas crenças pessoais: o que eles acreditavam ser os conceitos de vida, quando a mesma  começa e termina, a possibilidade da imortalidade do espírito após a morte do corpo físico, a teoria da reencarnação, a possibilidade da comunicação entres os mundos físicos e espirituais, a neurofisiologia das paranormalidades, as doenças mentais graves,  etc . E assim, foram começando a ouvir as opiniões diversas destas jovens mentes cheias de ideais e propósitos sobre estas temáticas polêmicas de tantas perguntas e poucas respostas dentre os leigos e profissionais de saúde e propuseram aí um primeiro encontro dentro da estrutura da própria universidade para que se começasse um grupo de estudos teóricos sobre tudo isso e o que mais derivasse destes temas iniciais como as questões de bioética, como aborto, eutanásia, transplantes, por exemplo, e que tanto colocam em cheque o comportamento prático do futuro médico, para que se tirassem então pela pura lógica e racionalidade, as primeiras conclusões sobre a possibilidade real dos benefícios do estudo da medicina e alguns conceitos espíritas. Neste grupo inicialmente se juntaram cerca de 50 alunos (num total de 720 alunos em toda faculdade era um número bem expressivo) e se nomeou pare se coordenar as atividades do grupo o acadêmico Flávio Braun Fiorda, hoje médico psiquiatra, presidente da Associação Médico Espírita de Santos, coordenador do departamento de comunicação da Associação Médico Espírita do Brasil e presidente da Sociedade Brasileira de Terapia de Vida Passada.

As reuniões eram semanais e ocorreram sempre com muito entusiasmo porque se parecia que ali naquele grupo se estava descobrindo aos poucos as verdadeiras verdades da vida, e talvez quem sabe, também se reencontrasse inconscientemente velhos e bons amigos de outras existências. Sempre se estudava na mesma sala de aula que estava livre naqueles dias e horários e a nossa intenção era de se tornar uma liga oficial de estudos junto ao DAAVC - Diretório Acadêmico Arnaldo Vieira de Carvalho -, órgão que representava oficialmente os alunos perante a direção da faculdade. E como tantas outras ligas que já existiam das várias disciplinas e temas dentro da medicina como cardiologia, ortopedia, diabetes, primeiros-socorros, etc, se pensava ingenuamente que isto seria uma consequência natural com a aprovação de mais uma liga por parte tanto do diretório acadêmico como da diretoria de ensino da instituição, afinal num ambiente de universidade sabe-se que a ciência é algo em movimento constante. Entretanto, o que ocorreu de fato foi a imensa e grotesca reprovação da fundação da liga de estudos de medicina e espiritismo por parte do diretores alegando-se que este estudo não fazia parte do meio científico oficial, afirmando inclusive que não se queria que se evocasse espíritos na instituição e muito menos se ficasse tocando bumbos, em total demérito e desconhecimento das reais razões da realização desta liga por mais que explicado fosse por escrito através das justificativas de uma carta de intenções e ementa ou mesmo pessoalmente com os responsáveis. Deste modo, as reuniões se transferiram para as dependências do hospital público estadual Guilherme Álvaro com as devidas autorizações para que ocorressem em sala de aula do hospital adequadamente, e surgiu o nome usado até os dias de hoje GEME - Grupo de Estudos de Medicina e Espiritismo -, que é o departamento acadêmico da Associação Médico Espírita de Santos, oficialmente constituído e registrado em ata. Posteriormente, a mesma Universidade Lusíada ficou ciente da continuação das referidas reuniões de estudos nas dependências do referido hospital, tomou isso como ato pessoal e notificou a diretoria do hospital que através de pressões que ficaram acima das compreensões humanas proibiu as mesmas reuniões. Concomitantemente a este processo, os doutores Fernando Guimarães e Décio Iandoli Júnior se afastaram por questões pessoais das atividades acadêmicas da faculdade de medicina e do hospital-escola transferindo suas carreiras universitárias de brilhante currículo administrando aulas de fisiologia humana para a faculdade de fisioterapia da Universidade Santa Cecília (Unisanta), instituição de educação muito tradicional na cidade de Santos com 55 anos de existência completados no ano de 2016 e cujos proprietários, Família Teixeira, são de formação universalista e espiritualista.

O GEME, com o total apoio da AME Santos, foi assim se mantendo com seus altos e baixos ao longo do tempo devido ao ciclo de interesse natural dos estudantes durante o período universitário como atividade complementar ao currículo do estudante, realizando as suas reuniões semanais com os estudos e debates de temas, vídeos e livros das obras de André Luiz principalmente e posteriormente amadurecendo novas ideias, dando outros passos mais significativos junto à sociedade como a organização de palestras públicas de início, campanhas de caridade e depois grandes e memoráveis jornadas com a temática da saúde, ciência e espiritualidade anualmente na Unisanta, local de seus eventos até hoje, onde já foram realizadas 17 jornadas com excelente repercussão popular.

Com o desenvolvimento das associações médico espíritas em todo o país, os grupos acadêmicos foram sendo criados de norte a sul, e se fortaleceram pelo incentivo mútuo e trocando experiências sejam pessoalmente em encontros  regionais e nacionais, congressos da AME Brasil ou atualmente pelas redes sociais, diminuindo distâncias, aproximando mentes e corações afins, realizando importantes trabalhos de pesquisa apresentados em congressos da AME Brasil e AME Internacional e publicados nas revistas e livros da AME Brasil e em revistas indexadas. Um detalhe importante deste movimento acadêmico, que começou incipiente e tomou grande vulto, era a alegria e a vibração positiva que tomava conta da Dra. Marlene Nobre, então presidente da AME-Brasil,  com esta movimentação da juventude dos estudantes espíritas. Outro fruto deste movimento estudantil é a continuação dos trabalhos assumidos, após a formatura dos primeiros acadêmicos, desde os anos 1990, fundando e coordenando várias AMEs pelo Brasil e convocando novos acadêmicos.

A AME Santos, que completa 24 anos em 2017, Trabalha em conjunto com o GEME e tem como expectativa de que a matéria “saúde e espiritualidade” seja aceita e incluída em alguma grade de faculdade de medicina ou de outra área da saúde na região da Baixada Santista, fato este que ainda não é a nossa realidade por puro preconceito. Nossas divulgações na mídia são constantes, chegamos a ter um programa na TV a cabo NET, TV COM, se chamava “Espiritualidade em Debate”, semanal por 2 anos e apresentado pela jornalista Giovana Campos, da AME Santos. Outra conquista marcante e histórica da AME SANTOS foi a realização por parte dos médicos já graduados em medicina e que atuam em várias especialidades médicas, do curso de extensão na Unisanta: “Ciência, Saúde e Espiritualidade” desde o ano de 1997, aberto ao público em geral com duração de um ano, em aulas semanais, duração de 80 horas/ano e com cerca de 80 alunos em média por turma, sendo o primeiro do Brasil neste modelo em parceria com a universidade. A turma de 2017 já conta com 180 alunos, com participação dos acadêmicos pertencentes ao GEME.