A Família representa nossos primeiros ensaios dentro da vivência do amor

Autor: Giovana Campos


“A Família representa nossos primeiros ensaios dentro da vivência do amor universal em direção ao Criador”

Giovana Campos

            A Dra. Márcia Léon, gastropediatra e membro do Departamento de Família, falou um pouco sobre os temas e desafios que as famílias estão enfrentando nos últimos tempos.

Como foram elaborados os temas? 

Márcia Léon - Os temas do seminário foram elaborados a partir do tema principal “Reconectando Almas”. Sabemos que a família é a célula-mater da construção da sociedade. Partindo do princípio de que uma família estruturada, sabedora do seu papel de construção de valores individuais para se inteirar do todo social, consegue na sua coletividade familiar superar os desafios, já considerados na programação reencarnatória de cada um de seus membros. Quando cientes desta abordagem, tendo as Leis Morais, trazidas por Jesus, como base desta formação, a superação das dificuldades naturais que cada um enfrenta, se torna mais fortalecida e mais ajustada à colaboração de cada um de seus pares no avanço do conjunto familiar. Porém, sabemos também, que esta consciência não é rotina comum, pois, enquanto mergulhados na vestimenta carnal, nem sempre conseguimos visualizar esta problemática de uma forma racional ou clara; as emoções falam alto, e os reajustes interpessoais a serem considerados  muitas vezes se fazem distantes. Mas, é importante lembrar que a semente evangelizadora de Jesus foi semeada em cada um de nós. Portanto, a floração dos talentos de cada um é eminente e pode acontecer a qualquer momento, sendo o agente facilitador da reconexão das almas em família. 

Por que a atenção voltada para a família? 

Márcia Léon - Estamos vivendo um momento crucial na trajetória planetária, onde os valores morais se encontram dispersos e lateralizados por muitos que congregam a família humana. Focar na Família é focar na construção coletiva, a partir da valorização da vida em seu continuum, como sempre nos lembrou a Dra. Marlene Nobre, Dr. Bezerra de Menezes e tantos ícones da nossa querida Doutrina Espírita. A partir do núcleo familiar é que temos a oportunidade de crescer e avançar em nossa trajetória coletiva. Por isso a necessidade de voltar a nossa atenção a este tema, que sempre foi muito caro ao Departamento de Família da AME Brasil, pois tendo a família como o cadinho de reconstrução de ideais morais, temos a oportunidade de florescer este tema no coração de cada um  daqueles que estarão conosco nestes dias do Seminário da Família em Maceió e por sua vez, cada um poderá replicar em seus locais de origem. 

Qual a importância dos laços familiares para a saúde? E para o Espiritismo? 

Márcia Léon - Importância crucial, pois a saúde da família reflete a saúde mental de cada um de seus membros, através dos vínculos dos laços familiares. Allan Kardec, em o Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo IV, “Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo”, e no capitulo XIV, “Honrai vosso pai e vossa mãe”, nos traz argumentos extremamente fortalecidos na coerência do raciocínio e na amorosidade do coração, de que apenas os laços de família, são capazes de reerguer o espírito decaído em suas dificuldades ascensionais da  estrada evolutiva. Quando temos a oportunidade do bom convívio, temos a sanidade mental, condição sine qua non para o bem viver do ser humano integrado à sociedade. Os laços consanguíneos oportunizam o reajuste de ideias, reformulando conceitos e permitindo novos hábitos e ações individuais que influenciem na harmonia coletiva e no bem conviver, reintegrando cada um dos membros da família ao todo social. Apesar da sua fragilidade, quando estes laços consanguíneos são bem sentidos e vivenciados, se fortalecem gradualmente e consequentemente se direcionarem para os laços espirituais, mais fortalecidos e inquebrantáveis. 

Como tem sido a recepção do público quanto ao tema? 

Márcia Léon - A nosso ver, de maneira excelente tem sido a receptividade. Estamos todos ansiosos pela melhoria social, e sem a estruturação familiar adequada dificilmente alcançaremos este intento. Joanna de Angelis, em seu livro Constelação Familiar, pela psicografia de Divaldo Franco já nos diz: “A família é a base fundamental sobre a qual se ergue o imenso edifício da sociedade. No pequeno grupo doméstico inicia-se a experiência da fraternidade universal, ensaiando-se os passos para os nobres cometimentos em favor da sociedade equilibrada. Em razão disso, toda vez que a família se enfraquece, a sociedade experimenta conflitos, abalada nas suas estruturas”.

 As especialidades médicas e psicológicas têm benefício com a inserção do olhar espiritual sobre a família? 

 Márcia Léon - Sempre este benefício será alcançado, quando observamos o SER  que está à nossa frente  como um todo. Quando um paciente adentra o nosso consultório, é importante saber que além da vestimenta física, existe um espírito caminhando e buscando a sua melhoria enquanto ser imortal, através do tempo, a partir de suas vidas sucessivas. É sabido, que nem todos apresentam esta consciência da caminhada evolutiva, mas quando o profissional é imbuído deste olhar, aos poucos ele consegue direcionar o paciente para a sua busca interior, atravessando os seus “desertos” em busca da descoberta de sua Espiritualidade. Jesus já dizia, que a caminhada com ELE é mais leve, e isso é confortador. Dessa forma, as especialidades de saúde, podem contribuir e muito, como agentes facilitadores desta busca pessoal e, consequentemente, a busca de saúde física, mental e espiritual. 

Quais as necessidades urgentes da família contemporânea?

Márcia Léon - São inúmeras as necessidades, mas poderíamos focar em duas em especial, que são agentes deflagradores de reparação de todas as outras: a busca do amor fraternal verdadeiro e a descoberta do Evangelho de Jesus. Uma vez Chico Xavier quando interpelado por um confrade espírita, durante o lançamento de alguns livros da Coleção André Luiz, de qual seria a maior novidade naqueles dias, o querido médium respondeu: “A maior novidade? O Evangelho de Jesus, meu filho!” Ao pensar sobre esta resposta sabemos nos dias atuais, em pleno século XXI, que é ainda uma novidade e uma descoberta para muitos, um consolo para outros tantos e o sedimento de vida para todos. Sem a fala do Cristo em nossas mentes, as dificuldades parecem ser maiores do que realmente são, as dores são intermináveis, e a falta de perspectiva se estabelece, não se tendo a certeza da vida futura e da transitoriedade de nossa trajetória como viajores na materialidade. Sendo assim, na busca do Evangelho, encontramos o verdadeiro Amor que ELE nos oferece. Mas acima de tudo, encontramos a lição maior que ELE nos trouxe sobre a prática deste AMOR e esta prática,  na revelação do entendimento de Jesus a respeito da  Caridade, respondida a Allan Kardec,  na questão 886 de O Livro dos Espíritos: Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas. Aí, se encerra a necessidade maior de todos nós. A Família representa o cadinho e o laboratório da caridade, nossos primeiros ensaios dentro da vivência do amor universal em direção ao Criador.