A vida após a vida em sala de aula americana

Autor: Giovana Campos


A vida após a vida em sala de aula americana.

O professor de Estudos Religiosos da California State University,  situada em Bakersfield,no estado da Califórnia, Estados Unidos, Lewis Stafford Betty, doutor em teologia, não é  o estereotipo do professor que se espera para este curso. Ele vai mais além em sua metodologia, ampliando os conceitos teológicos ensinados para mediunidade,  experiências de quase morte, estudos de caso de regressão de memórias,  visões no leito de morte entre outros fenômenos já conhecidos pelo  meio espírita.

Assim sendo, inevitável que estes temas levem a seus alunos a  continuidade da vida após a vida. E estes temas suscitaram um livro de  sua autoria: The Afterlife Unveiled.  O livro está apenas na língua inglesa.

De acordo com o professor, este assunto parece estar envolvido em uma  aura de descrédito. E ainda continua:  “Podemos falar de Deus, podemos  falar de ética durante todo o dia, mas o assunto que deveria  preocupar-nos mais - porque todo o resto cabe em última instância  sobre isso - está fora dos limites entre os assuntos religiosos  abordados na universidade. Tenho a sensação de que a fé na vida após a  morte é certa, mas simplesmente não falar sobre isso, não é admissível. É  repugnante! Por que isso?”.

Professor Betty acredita que o motivo deste silêncio sobre o assunto  recai nas próprias pessoas que se julgam espertas e bem informadas,  principalmente em universidades tradicionais, com pressupostos  materialistas da ciência física sobre quase tudo. “E como o após vida  é algo imaterial, ao menos do modo que a ciência entende a matéria,  meus colegas são relutantes em admitir que acreditam nesta hipótese,  ainda que realmente o façam. Entre eles, há dois católicos no  departamento de biologia, um deles meu amigo de longa data. Ele desvia a  cada tentativa de seus alunos quando questionam se ele é um homem de  fé, e na verdade ele sugere que não o é. Este é um homem que ama sua  religião, mas ele tem medo de admitir isso. Ele não quer parecer um  idiota. Ele não quer ter má reputação”.


Professor Betty, o que o motivou a escrever o seu livro sobre o após a vida?

Como professor, eu gosto de conscientizar as pessoas sobre os fatos  importantes de sua existência, especialmente os fatos mais positivos,  com tendência a produzir felicidade. Há poucos fatos mais positivos,  ao menos para mim e para a maioria das pessoas que conheço, do que a  sobrevivência após a morte, seguida por uma positiva experiência de  pós-vida. Isto com certeza é boa-nova, e eu escrevi o livro para  compartilhar isto com o leitor. Esta foi minha motivação primeira.

Mas há uma segunda razão. Eu olhava em volta e via sociedade - especialmente os mais jovens -  com falta de perspectiva. ‘Apenas  vagando’  pode ser uma expressão para definir incontáveis americanos.  Não lhes ocorre que o correto não é perguntar-se “o que eu posso tirar  desta vida?”, mas “O que a vida espera de mim?”  ou “ O que posso dar  à minha vida?”. O hábito de dar não é fácil . Para tornar-se um  doador é preciso um incentivo. A perspectiva de uma vida única não  nos dá este incentivo. Pelo contrário, é até sedutora a ideia que 
podemos ter e fazer tudo o que quisermos agora, pois esta é a única  chance que teremos. Adiar a gratificação? Por que deveríamos? Mentir e  trapacear para chegar à frente? Por que não, já que não há  responsabilização cósmica? O que há para nos parar, contanto que tenha 
cuidado para não sermos pego em flagrante? Daí nós nos tornamos hedonista, por vezes cruéis egoístas.

Uma plausível  crença no após-vida com ênfase na responsabilidade é  uma das chaves para reorganizar nossas atitudes perante a vida. E minha  pesquisa aponta que somos responsáveis por tudo o que falamos, fazemos  e até pensamos. Então, já estava na hora de fazer estas boas-novas  públicas. Consequentemente, o livro. Há outras razões, mas estas duas são as principais.


Por que você acha que as religiões ortodoxas são tão contrárias em aceitar os ensinamentos sobre a mediunidade, experiências de quase  morte, regressão a vidas passadas e outros fenômenos?
Se o após-vida descrito no meu livro tornar-se universalmente aceito,  as escrituras estariam desacreditadas. O céu e o inferno da Bíblia não  podem competir com o bem descrito e plausível mundo dos espíritos que  sabem com que estão falando, por existir. Pastores, padres e rabinos  trabalharam muito para ter o direito de professar suas realidades e  não querem, de repente, perder esta ‘licença’ para autoridades invisíveis, as quais não podem competir.

Você usará seus livros em suas aulas?
Eu já programei o livro para o uso em ‘Introdução a Religião’, turma  que começa em setembro e estou usando uma seção do livro neste  trimestre na turma sobre ‘Significado da Morte’ . Eu não sei como  fluirá com os calouros, mas quero descobrir. Acredito que adorem, afinal, assim como nós também são curiosos em saber o que virá após a morte. Principalmente quando relembrados que, não importa o quão jovens sejam, um dia eles também irão morrer. E muitos já têm amigos ou parentes que já faleceram, inclusive por suicídio,

 Você enfrenta resistência por parte da administração da universidade ou de seus colegas pelos seus ensinamentos?

O antigo reitor admitiu, após pressionar um pouco que ele e outros administradores julgavam meus interesses um pouco irreais. Da parte de meus colegas, alguns se sentem embaraçados pelo o que eu ensino, mas surpresos pelo meu sucesso como autor. Às vezes, até publico artigos em periódicos que eles mesmos aprovam.

O seu outro livro ‘Meaning of Death’ (Significado da Morte) foi bem popular entre seus alunos há alguns anos. Continua a mesma popularidade?

 Sim. Estou lecionando para 50 alunos, em uma classe onde o limite é 55.

Em poucas palavras, o que é o ‘Meaning of Death’? Como você o compreende?

Eu pensei muito sobre esta questão e, resumindo, eu acredito que a morte foi criada por uma Força (Deus, se você preferir) como um significado, talvez o melhor deles, para trazer à tona a nossa nobreza de caráter.  Vamos começar com uma analogia: o que esperamos de nossos filhos?  Boa aparência, inteligência, popularidade, riqueza, poder, alegrias? Não há nada de errado nisto, mas é que o que nós mais queremos?  Não, se formos sábios.  O que nós mais queremos, ou deveríamos querer é a nobreza de caráter, hábitos virtuosos e bondade. Outro modo de colocar isto: o que nós admiramos nos outros? A resposta deveria ser a mesma. Assim, o que Deus espera de nós, seus filhos terrestres? O mesmo! Mas a nobreza de caráter não vem de graça. Se não formos moralmente desafiados, não crescemos. Assim como crianças mimadas, não amadurecemos. Então, Ele nos desafia continuamente. E nós experimentamos e aprendemos o que funciona e o que não funciona, o que nos traz prazer e o que rejeitamos, o que conta como sensibilidade e o que é crueldade, o que nos mantém vivo e o que nos mata. Deus tem o mundo projetado para ser uma escola moral.  Somos espíritos em treinamento. Alguns atletas preferem jogar contra as equipes as quais podem vencer outros, preferem uma competição mais acirrada. E, se formos inteligentes, por que não aceitar ‘ a forte concorrência’ - a rejeição de quem amamos, a competição no local de trabalho ou o câncer que vem como uma sentença de morte – e lutar! Acreditando em Deus, nós temos em mente que quanto maior o sofrimento, maior o potencial de crescimento. Deus nos deu um mundo cheio de perigos físicos e desafios morais  onde vivemos sob a constante ameaça da morte. E Ele espera que nos usemos nossa liberdade para escolher o bom ao invés do mau e fazê-lo constantemente, vencendo as tentações. Ao fazer isto, trazemos valores, excelência e alegrias para o universo. E é isso o que Deus quer. E o que devemos querer, também!