Contribuição do Espiritismo à integração entre Ciência, Saúde e Espiritualidade

Autor: Célia Maria Patriani Justo


Consideramos que o conhecimento científico só poderá avançar, na medida em que seu objeto se ampliar na busca de novas e variadas interfaces, de tal forma que o desenvolvimento tecnológico possa traduzir-se em sabedoria de vida.
As propostas do paradigma espiritualista caminham nessa direção, ao ampliar horizontes e buscar respostas para as complexas questões que envolvem as ciências que lidam com a vida e a saúde.
Espiritualidade pode ser definida como a relação do ser humano com o sagrado, através de conceitos que transcendem o tangível, no intuito de atribuir um significado para a vida, num sentido de conexão com algo maior que si próprio.
Pressupõe a existência da alma ou espírito, de sua autonomia, diferença e preponderância em relação ao corpo.
A palavra espírito significa a parte imaterial do ser humano, também chamada de alma. Essa realidade autônoma da alma em relação ao corpo, afirma a superioridade ética e moral dos valores espirituais sobre os materiais.
Todos os que acreditam que deve existir no ser humano ‘alguma coisa’ além da matéria, sejam ou não adeptos de alguma instituição religiosa, são considerados espiritualistas; o que não implica na crença nos Espíritos e nas suas manifestações. Dessa forma, todo adepto do espiritismo é, necessariamente, espiritualista, sem que todo espiritualista seja espírita.
O Espiritismo pressupõe a existência de um Criador, de uma Inteligência Suprema causa primária de tudo o que existe. Tudo o que observamos no universo em que vivemos, revela combinações e fins determinados, evidenciando uma inteligência soberana criadora, causa primária de tudo, pois todo efeito inteligente é consequência de uma causa inteligente.
A perspectiva espírita não exclui o conhecimento científico alcançado pelo paradigma materialista, mas o complementa. Ao elemento material acrescenta o elemento espiritual, como as duas forças vivas da natureza. Pela união desses dois elementos – o material e o espiritual – explica-se sem dificuldade uma multidão de fatos até então considerados inexplicáveis.
O pensamento não é propriedade da matéria, nem um subproduto do cérebro orgânico. A faculdade de pensar e o senso moral são atributos do Espírito imortal, que sobrevive e conserva sua individualidade depois da morte do corpo.
Através do estudo minucioso dos diferentes tipos de fenômenos mediúnicos, é possível constatar que os chamados “mortos” se comunicam com os “vivos”. E ao investigar a veracidade dessas comunicações, poderemos evidenciar que a vida continua e que de fato somos todos seres imortais, inseridos num processo contínuo de evolução e aprimoramento.
No Espiritismo, o progresso se apresenta como uma das leis da natureza, assim, inexoravelmente, somos seres em busca da harmonia, do amor, da paz. O princípio da reencarnação é uma consequência dessa lei, pois nos permite compreender que o desenvolvimento humano é sem privilégios, é uma conquista lenta e harmoniosa, que depende diretamente do esforço e do trabalho de cada um de nós.
Como conquistar todas as virtudes em uma única existência? Como corrigir todos os erros e fracassos em uma única vida? A reencarnação explica o porquê da imortalidade da alma e a razão da pluralidade das existências e dos mundos, evidenciando que a justiça de Deus é infalível, infinitamente sábia e misericordiosa. De acordo com o grau de desenvolvimento moral do espírito, existem diversas categorias de mundos habitados, que oferecem as condições adequadas para as diferentes necessidades de aprendizado espiritual.
Dessa forma, concluímos que todos nós tivemos muitas existências e que teremos outras, mais ou menos aperfeiçoadas, seja na Terra ou em outros mundos. As diferentes existências corporais são sempre progressivas e jamais retrógradas, mas a rapidez do progresso depende sempre dos esforços que realizamos para chegar à condição de Espíritos de Luz.
No que diz respeito à relação saúde-doença, o Espiritismo considera que a gênese profunda das enfermidades remonta ao perispírito, corpo energético sutil que sobrevive à morte e que manifesta os pensamentos, sensações e percepções do espírito imortal.
Assim, as doenças guardam preciosas lições, nada acontece por acaso. Elas expressam no corpo físico, os desajustes da alma e nos alertam sobre a necessidade de regeneração e renovação espiritual.
É por essa razão, que encontramos no Evangelho de Jesus, o melhor e mais completo tratado de medicina preventiva e de promoção da saúde integral. Quando curava alguém, dizia: “Foi tua fé que te curou, vai e não peques mais”. O Mestre sabia que se a pessoa realmente não se modificasse internamente, continuando a repetir os mesmos hábitos negativos, ela iria adoecer outra vez.
Por isso, Jesus nos ensinou a terapia do perdão, único remédio realmente eficaz para impedir que os fluidos destruidores da raiva, da revolta, da mágoa, ou do ódio, possam continuar a provocar graves processos patológicos de difícil superação.
Por outro lado, compreendemos que a energia curativa do Amor é capaz de transformar qualquer situação, que o sofrimento é uma experiência transitória e que todos somos aprendizes das leis sábias e justas de Deus.
A proposta espírita contribui para a união entre ciência, saúde e espiritualidade, ao oferecer os fundamentos para um diálogo renovador, voltado ao entendimento.


Bibliografia:
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