Pressão alta - tratar para viver bem

Autor: Giovana Campos


Tratar da pressão alta é um ato de fé na vida

Giovana Campos

Campanha nacional e ecumênica, que tem o apoio da AME-Brasil, atinge seu auge, neste mês, e também é um alerta aos hipertensos para que intensifiquem seus cuidados com a saúde.

A hipertensão, popularmente conhecida pela população como pressão alta, é uma patologia com alta prevalência nas diversas faixas etárias, diagnosticada quando o paciente apresenta valor maior ou igual a 140x09mmHg, popularmente conhecido como 14 por 9. Isso ocorre porque o sangue está exercendo uma pressão muito intensa nas artérias para se movimentar.

De acordo com a médica cardiologista Antônia Marilene da Silva, da Associação Médico-Espírita do Distrito Federal (AME-DF), “é uma doença de grande impacto

na saúde de uma população porque, se não tratada, ocasiona doenças cerebrovasculares (derrames), infarto, angina (dor no peito), insuficiência cardíaca (dificuldade de o coração impulsionar o sangue), insuficiência renal, alterações visuais e doenças vasculares periféricas, com amputação de membros e disfunção erétil”.

Quem sofre com a hipertensão arterial pode apresentar sintomas tais como dor na cabeça, pressão na nuca, tonturas e hemorragia nasal, que aparecem esporadicamente, sendo muitas vezes associados à tensão emocional, excesso na alimentação e condições climáticas. O hábito de visitas periódicas ao clínico ou ao posto de saúde para aferição da pressão arterial facilita o diagnóstico e tratamento precoce, principalmente para aqueles com fatores de risco para o desenvolvimento da doença: idade, obesidade, diabetes, história familiar de hipertensos, sedentários, fumantes, etilistas, e alimentação com excesso de sal.

Para evitar a progressão da doença e lesão de órgãos como o coração e rins, o tratamento medicamentoso e mudanças no estilo de vida, atitudes definidas como tratamento não-farmacológico são importantes. A hipertensão arterial responde por 40% das mortes por acidente vascular cerebral e 25% daquelas por doenças coronarianas (infarto). A alimentação adequada, o abandono dos vícios como o tabaco e álcool, e atividade física constituem ações fundamentais no controle da pressão arterial. Aqueles que praticam exercícios físicos regularmente reduzem os níveis de pressão, melhoram a função cardíaca, além de apresentarem melhora da disposição para a vida.

Religiosidade auxilia no tratamento


A médica Antônia Marilene da SilvaConforme estudos realizados por vários pesquisadores, em diversas universidades, os fatores fé e religiosidade colaboram para a adesão e continuidade de um tratamento e, consequentemente, proporcionam maior benefício para o paciente. A definição para a palavra fé, no Dicionário Aurélio, aparece como “adesão e anuência pessoal a Deus, seus desígnios e manifestações; confiança; e firmeza na execução de um compromisso”. De acordo com a médica Antônia Marilene da Silva, “a Doutrina Espírita explica que a fé deve ser ativa; ela é a mãe da esperança e da caridade. A esperança é a confiança, a certeza de se alcançar um propósito e a caridade é a maior de todas as virtudes, porque é o amor em movimento. Amor a si mesmo, amor que se dispensa ao semelhante”.

Antônia lembra que a vida é uma dádiva de Deus e, por isso, devemos seguir as orientações que mantenham nosso equilíbrio, procurando desenvolver o autoamor, quer dizer, a tão comentada autoestima. Ela ainda complementa que “o perispírito, envoltório semimaterial, laço que liga o espírito ao corpo físico, é também o modelador do corpo físico. O perispírito está ligado ao corpo físico molécula a molécula e, pelas vibrações do pensamento, direciona o funcionamento de toda a economia celular. Todo espírito em evolução escolhe, ao reencarnar, as provas para seu progresso. As doenças podem ser provações para a aprendizagem de paciência, resignação, disciplina, desenvolvimento da fé e esperança”.

A médica brasiliense aponta traços bem definidos pelo Espiritismo: “Aquele que se nega ao aprendizado dessas lições, por rebeldia, não aderindo ao tratamento, perde a oportunidade de purificar melhor o perispírito e de adquirir sua condição reluzente, sem cicatrizes. O aprendizado virá como agravamento da doença com o aparecimento de complicações, morte prematura (suicídio indireto). O perispírito poderá sofrer alterações em sua estrutura, em função da falta de cuidado para com o corpo físico e isso, aliado ao pensamento constante de não aceitação, desorganiza o funcionamento celular, o que iniciará outros processos de adoecimento não programados para a atual reencarnação”.

A dra. Antônia finaliza ressaltando o aspecto positivo que campanhas como essa trazem à população. Elas despertam o interesse das pessoas em saber o porquê, em fazer exames, buscando o bem-estar, e, principalmente, mostram a importância de se aderir à ingestão de medicamentos e a um programa de atividade física. Com isso, há uma melhora do indivíduo como um todo e ele passa a ter uma nova visão da existência, conferindo a ela maior significado.

Coordenador fala sobre a campanha

Abaixo, Carlos Alberto Machado, cardiologista e representante do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia e coodenador nacional da Campanha de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial “Tratar a pressão alta é um ato de fé na vida”, fala sobre a doença e a campanha:

Qual a porcentagem de pessoas que apresentam quadros de hipertensão arterial?
Carlos Alberto Machado
 - Estima-se que, no Brasil, existem em torno de 30 milhões de hipertensos. Segundo as V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial:
- 50,8% sabem que são hipertensos;
- 40,5% estão em tratamento;
- 10,4% têm pressão alta (PA) controlada.

Que engloba a campanha "Tratar a pressão alta é um ato de fé na vida"?
Carlos Alberto
 - O objetivo é que os dirigentes/líderes de todas as religiões levem à população a importância de fazer o diagnóstico precoce e o tratamento adequado dos hipertensos , assim como das ações de prevenção da doença e promoção de saúde na população de risco, evitando-se novos hipertensos. Apesar de inicialmente assintomática, a hipertensão é a principal causa de mortalidade em nosso País e responsável por 30% das mortes em todo o mundo. A hipertensão arterial é responsável por 80% dos derrames, 40% dos infartos, 40% dos casos de insuficiência cardíaca, e 25% dos casos de insuficiência renal terminal (levando à diálise).

O auge da campanha está previsto para este mês. Em que dia acontece e qual a programação prevista?
Carlos Alberto
 - O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão acontece todos os anos, em 26 de abril, data de fundação da 1a Associação de Pacientes Hipertensos do Brasil. No ano passado e neste, continua com o tema “Tratar a pressão alta é um ato de fé na vida”. Na data citada, acontecerão vários eventos, que terminarão com uma caminhada do marco zero da Praça da Sé até o Teatro Municipal, mas cada estado tem sua programação.

Qual o intuito de abordar "fé na vida" no tratamento da pressão alta?
Carlos Alberto
 - Atualmente, os desafios no tratamento da hipertensão arterial são a adesão ao tratamento e, aos que aderiram, colocá-los dentro das metas pressóricas determinadas pelas diversas diretrizes nacionais e internacionais sobre o tratamento da hipertensão. Há evidências de que as pessoas com maior religiosidade são mais receptivas a ele.